Depois de mais de mais de 6 meses a fazer quimioterapia nas veias periféricas, antebraço, punho, mão... tornou-se impraticável tanto para as enfermeiras como para mim lidar com múltiplas punções desnecessárias, porque as veias foram "secando", fugindo e rebentando. Nas colheitas a mesma coisa, estavam a picar-me 4 a 5 vezes para colher análises e as amostras estavam a ficar coaguladas de tão pouco sangue jorrarem.
Com isto, falei com a minha Oncologista do problema e, sendo a minha quimioterapia para continuar sem fim, ela inscreveu-me para cirurgia, para a Colocação Cateter Venoso Central Subcutâneo.
Passados uns 30 dias, ligaram-me do bloco ambulatório a confirmar o dia e a explicar que o procedimento seria simples, duraria cerca de 30 a 45 minutos, com anestesia local.
Caso não fosse possível, tentariam o método convencional, onde seria implementado cateter venoso central subcutâneo na região infraclavicular (abaixo da clavícula).
Achei curioso porque não estava mesmo nada dentro do assunto. Contudo, iam iniciar o procedimento, por lapso, no lado errado, no meu braço doente, onde fiz esvaziamento axilar e tinha doença nas partes moles.
Alertei os 2 cirurgiões "jovens" para tal. Com o ecógrafo verificaram que nem o braço saudável tinha veias capazes de aguentar muito tempo as sessões contínuas de quimioterapia.
Optaram e bem, pelo tradicional cateter venoso central subcutâneo na região infraclavicular (abaixo da clavícula). Fica totalmente coberto pela pele e é palpável.
O procedimento em si foi rápido, os tais 30 minutos. Mas fiquei com a sensação de ter sido muito despachado. A anestesia local doía, pois dava a sensação de vidros a entrar na pele, e o meu catéter foi introduzido até à veia jugular interna, passando zonas que já tinham sido "mexidas" numa outra cirurgia. Talvez por esse pormenor que me avivou algumas sensações me tenha custado mais.
Também tive um pequeno percalço. Passadas 3 horas do procedimento, já em casa, vi os pensos todos ensopados de sangue e sangue a sair deles. Tive de ligar para a linha SNS 24, que rapidamente percebeu que se tratava de uma hemorragia e se trataria de uma situação de emergência.
Fui encaminhada para o meu hospital distrital, estancaram a hemorragia, reforçaram os pensos com compressas e depois fui para casa exausta, mas segura!
Inicialmente disseram-me que devia trocar o penso dia sim dia não no meu centro de saúde, mas como surgiram feriados e greves, acabei por trocar de penso umas 4 vezes, quando ia ao hospital fazer quimioterapia. Já passou um mês e ainda continua dorido e com algum hematoma, mas é algo que nos vamos habituando.
A quimioterapia é mais fácil de fazer agora, até porque pode ser a mais velocidade que os químicos entram, sem me provocar dor.
Quanto às colheitas das análises, os médicos dizem que o cateter pode ser utilizado para tudo. Já as enfermeiras gostam pouco. Dá mais trabalho e gastam mais material. Mas não ligam ao custo benefício de não ter de puncionar diversas vezes o paciente.
Esta semana, apanhei uma enfermeira com muita experiência e disse-me que estava ali para me servir. Eu é que escolhia onde queria fazer a colheita. Preferi o cateter, apesar de se sentir uma picada desconfortante também, mas foi à primeira.
A enfermeira disse-me abertamente que muitas colegas não gostavam de mexer no catéter, mas ela trabalhou muitos anos e estava à vontade e que o doente é quem deve sempre decidir.
Além disso, era alguém dotada de espiritualidade, de cuidado com o próximo, de servir o semelhante, de compaixão.
Por palavras dela: "Estou aqui por obediência ao meu Pai e para servir os meus Irmãos.".
Sem comentários:
Enviar um comentário