Rosa Forte: 2026

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Pagamentos de Pensões e Prestações da Segurança Social - Maio 2026

 👉Pagamentos Segurança Social

As datas para pagamento das pensões e prestações sociais do mês de Maio são as seguintes:



Direitos Gerais dos Doentes Oncológicos 2026

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Guia dos Direitos Gerais do Doente Oncológico - 6ª edição, junho de 2025 - Liga Portuguesa Contra o Cancro

O cancro provoca mudanças profundas na vida de quem é diagnosticado e das pessoas que o rodeiam. Para além dos efeitos físicos e emocionais, esta doença traz também repercussões a nível social, financeiro e profissional, tanto para os doentes como para quem presta cuidados. Assim, a legislação prevê um conjunto de direitos destinados a salvaguardar e apoiar os doentes ao longo do período da doença. Para conhecer o leque de benefícios, aceda ao link acima.

O primeiro e mais importante documento a obter é o Atestado Médico de Incapacidade Multiuso.

Este é um exemplo do documento:

O Atestado Médico de Incapacidade Multiuso (AMIM) serve para confirmar o grau de incapacidade física ou mental de uma pessoa, seja ela temporária ou permanente. Este documento é essencial para que um doente oncológico possa aceder aos apoios previstos na lei. 

Quando um doente é diagnosticado com cancro, pode pedir no próprio hospital onde foi diagnosticado, o seu primeiro AMIM. O grau de incapacidade atribuído será o mínimo para estas situações, ou seja, 60%, para qualquer doente. Seja mais ou menos grave. Isto é um procedimento burocrático porque as Juntas Médicas responsáveis pela atribuição das incapacidades têm meses de espera (anos). Embora a lei preveja o máximo de 60 dias para convocar o doente à Junta.

Enquanto tem esse primeiro Atestado, convém pedir o AMIM através da Junta Médica, para que seja atribuída a verdadeira incapacidade. 

No meu caso, o Hospital deu-me os 60% de incapacidade, mas a Junta Médica avaliou a gravidade e viu que a minha percentagem era de 88%, infelizmente.

Assim, o doente deve solicitar ao seu médico um relatório clínico que indique a sua condição e a data do diagnóstico, bem como pedir relatórios de exames médicos envolvidos. 

Depois, tem de apresentar um pedido no centro de saúde da área de residência, através de um requerimento dirigido ao presidente da junta médica (este impresso já está pré-preparado nos centros de saúde e, apenas, basta preencher os dados pessoais da pessoa), juntamente com os relatórios e exames médicos.

Após a entrega do pedido, o doente será informado da data e hora de uma consulta com a junta médica, onde será avaliado o grau de incapacidade. Esta consulta deveria acontecer no prazo máximo de 60 dias após o pedido, segundo a lei, mas a minha primeira Junta médica demorou quase 3 anos (com a desculpa da pandemia).

Sei que atualmente o pedido pode até ser feito online, e existem consultas/avaliações telefónicas, com o objetivo de diminuir os tempos de resposta a estes pedidos.

Passado este processo todo, o Atestado Médico de Incapacidade Multiuso (AMIM), fica disponível digitalmente no portal do SNS 24.

Mas para beneficiar dos apoios existentes, é ainda necessário entregar uma cópia do atestado nas Finanças e na Segurança Social. Centro de Saúde. Até no IMT, caso reúna condições para a obtenção de dístico de estacionamento.

De uma forma resumida, o grau de incapacidade atribuído ao utente, o Atestado Médico de Incapacidade Multiuso confere ao seu detentor o direito a:

  • benefícios fiscais
  • isenção de taxas moderadoras no SNS
  • atendimento prioritário
  • isenção do imposto automóvel
  • transporte não urgente de doentes
  • proteção e apoios sociais (a PRESTAÇÃO SOCIAL PARA A INCLUSÃO!)
  • bolsas de estudo no ensino superior
  • entre outros benefícios legalmente previstos 
Para mais informações, veja no site SNS24:

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cateter Venoso Central Subcutâneo - Quimioterapia

Depois de mais de mais de 6 meses a fazer quimioterapia nas veias periféricas, antebraço, punho, mão... tornou-se impraticável tanto para as enfermeiras como para mim lidar com múltiplas punções desnecessárias, porque as veias foram "secando", fugindo e rebentando. Nas colheitas a mesma coisa, estavam a picar-me 4 a 5 vezes para colher análises e as amostras estavam a ficar coaguladas de tão pouco sangue jorrarem. 

Com isto, falei com a minha Oncologista do problema e, sendo a minha quimioterapia para continuar sem fim, ela inscreveu-me para cirurgia, para a Colocação Cateter Venoso Central Subcutâneo.

Passados uns 30 dias, ligaram-me do bloco ambulatório a confirmar o dia e a explicar que o procedimento seria simples, duraria cerca de 30 a 45 minutos, com anestesia local. 



No dia, explicaram-me tudo muito à pressa e disseram-me que as recomendações atuais para a colocação de catéter era através do braço, tudo vigiado e auxiliado por um ecógrafo. 

Caso não fosse possível, tentariam o método convencional, onde seria implementado cateter venoso central subcutâneo na região infraclavicular (abaixo da clavícula).

Achei curioso porque não estava mesmo nada dentro do assunto. Contudo, iam iniciar o procedimento, por lapso, no lado errado, no meu braço doente, onde fiz esvaziamento axilar e tinha doença nas partes moles. 

Alertei os 2 cirurgiões "jovens" para tal. Com o ecógrafo verificaram que nem o braço saudável tinha veias capazes de aguentar muito tempo as sessões contínuas de quimioterapia.

Optaram e bem, pelo tradicional cateter venoso central subcutâneo na região infraclavicular (abaixo da clavícula). Fica totalmente coberto pela pele e é palpável.

O procedimento em si foi rápido, os tais 30 minutos. Mas fiquei com a sensação de ter sido muito despachado. A anestesia local doía, pois dava a sensação de vidros a entrar na pele, e o meu catéter foi introduzido até à veia jugular interna, passando zonas que já tinham sido "mexidas" numa outra cirurgia. Talvez por esse pormenor que me avivou algumas sensações me tenha custado mais.

Também tive um pequeno percalço. Passadas 3 horas do procedimento, já em casa, vi os pensos todos ensopados de sangue e sangue a sair deles. Tive de ligar para a linha SNS 24, que rapidamente percebeu que se tratava de uma hemorragia e se trataria de uma situação de emergência.

Fui encaminhada para o meu hospital distrital, estancaram a hemorragia, reforçaram os pensos com compressas e depois fui para casa exausta, mas segura!

Inicialmente disseram-me que devia trocar o penso dia sim dia não no meu centro de saúde, mas como surgiram feriados e greves, acabei por trocar de penso umas 4 vezes, quando ia ao hospital fazer quimioterapia. Já passou um mês e ainda continua dorido e com algum hematoma, mas é algo que nos vamos habituando.

A quimioterapia é mais fácil de fazer agora, até porque pode ser a mais velocidade que os químicos entram, sem me provocar dor. 

Quanto às colheitas das análises, os médicos dizem que o cateter pode ser utilizado para tudo. Já as enfermeiras gostam pouco. Dá mais trabalho e gastam mais material. Mas não ligam ao custo benefício de não ter de puncionar diversas vezes o paciente. 

Esta semana, apanhei uma enfermeira com muita experiência e disse-me que estava ali para me servir. Eu é que escolhia onde queria fazer a colheita. Preferi o cateter, apesar de se sentir uma picada desconfortante também, mas foi à primeira.

A enfermeira disse-me abertamente que muitas colegas não gostavam de mexer no catéter, mas ela trabalhou muitos anos e estava à vontade e que o doente é quem deve sempre decidir. 

Além disso, era alguém dotada de espiritualidade, de cuidado com o próximo, de servir o semelhante, de compaixão. 

Por palavras dela: "Estou aqui por obediência ao meu Pai e para servir os meus Irmãos.".




quarta-feira, 29 de abril de 2026

Transfusão de sangue durante tratamento de quimioterapia

Durante os tratamentos de quimioterapia, somos confrontados com algumas adversidades extra, para além dos sintomas mais frequentes, estão os outros que se vão instalando lentamente, por causarem toxicidade e debilidade ao nosso organismo saudável. É justamente isso que acontece à medula óssea, onde são produzidas as células sanguíneas. 

No meu caso, já tive glóbulos brancos (defesas baixas), tive de suspender tratamento uma semana, já tive plaquetas baixas, também adiei tratamento e, nesta última semana, tive hemoglobina baixa (glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação das células). 

🩸Segundo o SNS 24, 

"Genericamente é possível dizer que uma pessoa tem anemia quando laboratorialmente os valores da hemoglobina estão abaixo de 12 g/dl nas mulheres ou 13 g/dl nos homens.

A Organização Mundial da Saúde define anemia quando os valores de hemoglobina estão abaixo de 11g/dL na criança e abaixo dos 5 anos e na mulher grávida."


Pelo que percebi, em oncologia, quando se está a fazer quimioterapia, valores abaixo dos 8 g/dl são motivo para transfusão. Foi isso que me foi aplicado. Fiz o tratamento na terça, mas disseram-me que quarta teria de fazer transfusão sanguínea para os valores não baixarem ainda mais.


Claro que o melhor é não precisar, mas chegando a uma situação semelhante, não há alimentação que nos valha. É mesmo necessária a transfusão para terminar com a anemia e nos dar energia. Andava há semanas a arrastar-me de tanto cansaço e sinto que me fez bem repor os níveis sanguíneos, que entretanto normalizaram.


Quanto ao procedimento em si: no dia anterior, fizeram-me uma recolha sanguínea para analisar à qual chamam tripagem de sangue. Não serve só para saber o grupo sanguíneo e o RH, serve também para analisar outros factores que ajudarão na escolha do melhor sangue para nós.


No dia, fiz a transfusão na sala de tratamentos de quimioterapia. Diretamente no cateter central, demorou cerca de 2h a 2h15minutos. É bastante tempo, comparando com outras medicações. Mas é um procedimento gota a gota, com supervisão de enfermagem para garantir total segurança e nenhuma reação adversa.


Não vou alongar-me sobre a questão, até porque cada pessoa tem as suas convicções e até religiosas, a este respeito. 


Mas posso dizer que este tratamento me fez bem e me permitiu voltar a fazer mais tratamento de quimioterapia sem problema.


Cada dádiva de sangue dá para ajudar três pessoas na minha situação. Por isso, fico eternamente grata a quem doou o  seu sangue, o seu tempo e a sua compaixão, a troco de nada. Obrigada!

🩸




domingo, 26 de abril de 2026

Cancro avançado 2026


Apesar deste blogue não ser uma jornada contínua e descritiva do processo de uma doente oncológica, por vezes, lembro-me de que passam cá pessoas com vontade de alguma informação. 

Desde o início,  o meu percurso foi complicado.  Cancro da mama já diagnosticado com metástases ósseas. 2020.

Depois seguiu-se um percurso normal, dentro do esperado, protocolos, medicamentos,  tratamentos,  recuperação,  recidiva, mudanças histologicas das células. 

Um tumor que era inicialmente hormonal,  transformou-se, mais tarde, em triplo negativo. 

Na verdade, encontro-me a fazer um tratamento de quimioterapia mais agressivo, que me retira a parte da qualidade que tinha. 

Cansaço,  enjoos,  falta de apetite e horas em contexto hospitalar. 

Mas no meio disto tudo, gostade dizer que passaram 6 anos e continuo aqui. 

Um testemunho de esperança a quem está a passar por isso agora. Tudo é um processo mais ou menos simples/complicado, dependendo também do organismo e das condicionantes. 

Pode ser apenas um mau momento, um ano de sacrifício, de paragem, de cura. Ou pode ser um processo de adaptação a uma nova vida, como no meu caso.

Um abraço amigo e de esperança a todos!