Rosa Forte

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cateter Venoso Central Subcutâneo - Quimioterapia

Depois de mais de mais de 6 meses a fazer quimioterapia nas veias periféricas, antebraço, punho, mão... tornou-se impraticável tanto para as enfermeiras como para mim lidar com múltiplas punções desnecessárias, porque as veias foram "secando", fugindo e rebentando. Nas colheitas a mesma coisa, estavam a picar-me 4 a 5 vezes para colher análises e as amostras estavam a ficar coaguladas de tão pouco sangue jorrarem. 

Com isto, falei com a minha Oncologista do problema e, sendo a minha quimioterapia para continuar sem fim, ela inscreveu-me para cirurgia, para a Colocação Cateter Venoso Central Subcutâneo.

Passados uns 30 dias, ligaram-me do bloco ambulatório a confirmar o dia e a explicar que o procedimento seria simples, duraria cerca de 30 a 45 minutos, com anestesia local. 



No dia, explicaram-me tudo muito à pressa e disseram-me que as recomendações atuais para a colocação de catéter era através do braço, tudo vigiado e auxiliado por um ecógrafo. 

Caso não fosse possível, tentariam o método convencional, onde seria implementado cateter venoso central subcutâneo na região infraclavicular (abaixo da clavícula).

Achei curioso porque não estava mesmo nada dentro do assunto. Contudo, iam iniciar o procedimento, por lapso, no lado errado, no meu braço doente, onde fiz esvaziamento axilar e tinha doença nas partes moles. 

Alertei os 2 cirurgiões "jovens" para tal. Com o ecógrafo verificaram que nem o braço saudável tinha veias capazes de aguentar muito tempo as sessões contínuas de quimioterapia.

Optaram e bem, pelo tradicional cateter venoso central subcutâneo na região infraclavicular (abaixo da clavícula). Fica totalmente coberto pela pele e é palpável.

O procedimento em si foi rápido, os tais 30 minutos. Mas fiquei com a sensação de ter sido muito despachado. A anestesia local doía, pois dava a sensação de vidros a entrar na pele, e o meu catéter foi introduzido até à veia jugular interna, passando zonas que já tinham sido "mexidas" numa outra cirurgia. Talvez por esse pormenor que me avivou algumas sensações me tenha custado mais.

Também tive um pequeno percalço. Passadas 3 horas do procedimento, já em casa, vi os pensos todos ensopados de sangue e sangue a sair deles. Tive de ligar para a linha SNS 24, que rapidamente percebeu que se tratava de uma hemorragia e se trataria de uma situação de emergência.

Fui encaminhada para o meu hospital distrital, estancaram a hemorragia, reforçaram os pensos com compressas e depois fui para casa exausta, mas segura!

Inicialmente disseram-me que devia trocar o penso dia sim dia não no meu centro de saúde, mas como surgiram feriados e greves, acabei por trocar de penso umas 4 vezes, quando ia ao hospital fazer quimioterapia. Já passou um mês e ainda continua dorido e com algum hematoma, mas é algo que nos vamos habituando.

A quimioterapia é mais fácil de fazer agora, até porque pode ser a mais velocidade que os químicos entram, sem me provocar dor. 

Quanto às colheitas das análises, os médicos dizem que o cateter pode ser utilizado para tudo. Já as enfermeiras gostam pouco. Dá mais trabalho e gastam mais material. Mas não ligam ao custo benefício de não ter de puncionar diversas vezes o paciente. 

Esta semana, apanhei uma enfermeira com muita experiência e disse-me que estava ali para me servir. Eu é que escolhia onde queria fazer a colheita. Preferi o cateter, apesar de se sentir uma picada desconfortante também, mas foi à primeira.

A enfermeira disse-me abertamente que muitas colegas não gostavam de mexer no catéter, mas ela trabalhou muitos anos e estava à vontade e que o doente é quem deve sempre decidir. 

Além disso, era alguém dotada de espiritualidade, de cuidado com o próximo, de servir o semelhante, de compaixão. 

Por palavras dela: "Estou aqui por obediência ao meu Pai e para servir os meus Irmãos.".




quarta-feira, 29 de abril de 2026

Transfusão de sangue durante tratamento de quimioterapia

Durante os tratamentos de quimioterapia, somos confrontados com algumas adversidades extra, para além dos sintomas mais frequentes, estão os outros que se vão instalando lentamente, por causarem toxicidade e debilidade ao nosso organismo saudável. É justamente isso que acontece à medula óssea, onde são produzidas as células sanguíneas. 

No meu caso, já tive glóbulos brancos (defesas baixas), tive de suspender tratamento uma semana, já tive plaquetas baixas, também adiei tratamento e, nesta última semana, tive hemoglobina baixa (glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação das células). 

🩸Segundo o SNS 24, 

"Genericamente é possível dizer que uma pessoa tem anemia quando laboratorialmente os valores da hemoglobina estão abaixo de 12 g/dl nas mulheres ou 13 g/dl nos homens.

A Organização Mundial da Saúde define anemia quando os valores de hemoglobina estão abaixo de 11g/dL na criança e abaixo dos 5 anos e na mulher grávida."


Pelo que percebi, em oncologia, quando se está a fazer quimioterapia, valores abaixo dos 8 g/dl são motivo para transfusão. Foi isso que me foi aplicado. Fiz o tratamento na terça, mas disseram-me que quarta teria de fazer transfusão sanguínea para os valores não baixarem ainda mais.


Claro que o melhor é não precisar, mas chegando a uma situação semelhante, não há alimentação que nos valha. É mesmo necessária a transfusão para terminar com a anemia e nos dar energia. Andava há semanas a arrastar-me de tanto cansaço e sinto que me fez bem repor os níveis sanguíneos, que entretanto normalizaram.


Quanto ao procedimento em si: no dia anterior, fizeram-me uma recolha sanguínea para analisar à qual chamam tripagem de sangue. Não serve só para saber o grupo sanguíneo e o RH, serve também para analisar outros factores que ajudarão na escolha do melhor sangue para nós.


No dia, fiz a transfusão na sala de tratamentos de quimioterapia. Diretamente no cateter central, demorou cerca de 2h a 2h15minutos. É bastante tempo, comparando com outras medicações. Mas é um procedimento gota a gota, com supervisão de enfermagem para garantir total segurança e nenhuma reação adversa.


Não vou alongar-me sobre a questão, até porque cada pessoa tem as suas convicções e até religiosas, a este respeito. 


Mas posso dizer que este tratamento me fez bem e me permitiu voltar a fazer mais tratamento de quimioterapia sem problema.


Cada dádiva de sangue dá para ajudar três pessoas na minha situação. Por isso, fico eternamente grata a quem doou o  seu sangue, o seu tempo e a sua compaixão, a troco de nada. Obrigada!

🩸




domingo, 26 de abril de 2026

Cancro avançado 2026


Apesar deste blogue não ser uma jornada contínua e descritiva do processo de uma doente oncológica, por vezes, lembro-me de que passam cá pessoas com vontade de alguma informação. 

Desde o início,  o meu percurso foi complicado.  Cancro da mama já diagnosticado com metástases ósseas. 2020.

Depois seguiu-se um percurso normal, dentro do esperado, protocolos, medicamentos,  tratamentos,  recuperação,  recidiva, mudanças histologicas das células. 

Um tumor que era inicialmente hormonal,  transformou-se, mais tarde, em triplo negativo. 

Na verdade, encontro-me a fazer um tratamento de quimioterapia mais agressivo, que me retira a parte da qualidade que tinha. 

Cansaço,  enjoos,  falta de apetite e horas em contexto hospitalar. 

Mas no meio disto tudo, gostade dizer que passaram 6 anos e continuo aqui. 

Um testemunho de esperança a quem está a passar por isso agora. Tudo é um processo mais ou menos simples/complicado, dependendo também do organismo e das condicionantes. 

Pode ser apenas um mau momento, um ano de sacrifício, de paragem, de cura. Ou pode ser um processo de adaptação a uma nova vida, como no meu caso.

Um abraço amigo e de esperança a todos!


domingo, 24 de março de 2024

Mastectomia 2024 - o meu caso

Dia 18 de março de 2024, com uma espera de mais de 2 meses, fui finalmente chamada para realizar mastectomia total esquerda. 

Embora seja doente oncológica, diagnosticada desde fins de 2019, a mastectomia nunca foi uma proposta de tratamento. Isto acontece porque, no meu caso, quando se diagnosticou a doença, já havia metástases ósseas.

Ao longo deste processo, que dura já há cerca de 4 anos e meio, fui submetida, primeiro, a uma cirurgia estabilizadora da coluna, radioterapia na coluna e, finalmente, ao tratamento sistémico hormonoterapêutico. 

O tratamento tem se mostrado bastante eficaz a controlar a doença. As lesões ósseas estão "adormecidas" e não surgiram focos noutros órgãos. Contudo, verificou-se um aumento gradual do tumor na mama.

Depois do caso ser debatido em consultas de grupo, os especialistas ficaram divididos quanto ao procedimento cirúrgico. Houve os que eram favoráveis a esta proposta, pois alegavam que o tumor deveria continuar a crescer, caso não se removesse, e me provocaria desconforto, dor e, eventualmente, complicações a nível local e axilar. Houve também os mais céticos, que não concordavam com a mastectomia, pois agarraram-se aos dados estatísticos, que demonstravam que em nada me beneficiaria a mastectomia, principalmente, não aumentaria a minha sobrevida.

Fui chamada a tomar a decisão final. 

Fez-me sentido a opinião de uma cirurgiã oncológica de carreira reconhecida, tanto clínica como de investigação, do meu hospital público. Optei por fazer a mastectomia.

A cirurgia correu sem complicações. Durante a mesma, fizeram biopsia a gânglios. Saberei o resultado no dia 8 de abril, na consulta com o cirurgião.

Estou em casa, com dreno e sem dores. 

Fiz o primeiro penso dois dias após a cirurgia e esvaziamento do dreno (cerca de 170ml).


sábado, 12 de março de 2022

PAZ NO MUNDO - Tempos de Guerra


Tirem parte do vosso tempo, do vosso sossego e bem-estar para um breve pensamento sobre a irracionalidade da guerra em tempos (ditos) modernos.

Cultivem o enriquecimento da alma, ao nutrir compaixão, empatia e tristeza pelo sofrimento dos outros.

Agradeçam a fortuna, mesmo que seja pouca, em relação àqueles que têm menos que nós.

Não há Pátria Maior que a Pátria Terra. E os nossos irmãos são todos os nossos pares, mesmo que não compreendamos o quão atrasados na evolução da sua alma estejam.

Num ano chamado 2022 d. C.

Que a Paz seja reposta, nos corações e nas almas dos que lutam.





quarta-feira, 9 de março de 2022

Sugestões de Refeições - Alimentação Saudável sem tretas

Para ter uma alimentação saudável e equilibrada, não é necessária a técnica elaborada e o requinte culinário.

Na verdade, o lema é "menos é mais".

Primeiro, deve dar-se importância a alimentos simples, praticamente vindos da natureza para o nosso prato; 

Depois, deve compreender-se que quanto menos se manipularem os alimentos melhor. Portanto, cozer, grelhar, saltear serão as formas mais corretas de trabalhar os alimentos e, claro, o que der para comer cru, mais nutrientes e minerais serão conseguidos.

Para quem está a tentar reduzir de peso, deve preocupar-se em reduzir os hidratos de carbono, moderar gorduras. Mas principalmente, fazer uma limpeza aos armários de doces e refinados. Ter em atenção que manter esses alimentos em casa, é prejudicial para toda a gente.

Convém perceber que não é um fundamentalismo. Pode-se comer de tudo, mas o bom senso....ah...o bom senso...esse nunca o devemos perder na vida.

Deixo-vos ideias de pratos simples.







terça-feira, 2 de março de 2021

Cancro da Mama 2021

Muitas são as notícias que temos ouvido sobre como é a pior altura para qualquer coisa, por culpa da covid

Por culpa da covid, muito é o azar de ser criança nesta altura e não poder brincar livremente com os amiguinhos.

Por culpa da covid, muito é o azar de se ser adolescente e não poder sair simplesmente para andar de skate ou namorar.

Por culpa da covid, muito é o azar de estar na Universidade e não poder ir aos jantares de curso, às festas e discotecas.

Por culpa da covid, muito é o azar dos casais que tinham planeado casar e tiveram de adiar as suas bodas com imensos convidados.

Por culpa da covid, muito é o azar de quem engravidou na pior altura, que nem pode levar o papá às consultas ou a assistir ao parto.

Por culpa da covid, MUITO é o azar, sim, dos idosos que estão a morrer na tremenda solidão  e tristeza, que é o partir sem oportunidade de ver, ouvir e tocar nos seus para a última despedida.

Mas finalmente, vou falar-vos do azar que é ser diagnosticado com cancro durante uma pandemia mundial. 

No início de 2020 diagnosticaram-me cancro da mama. Como tinha 32 anos, não tinha antecedente, os seios sempre foram pequenos e com diversos nódulos, "deixaram" andar a coisa durante anos. Só controlava com ecografias muito esporadicamente. Quanto "àquele específico nódulo", sempre o desvalorizaram e a médica de Patologia Mamária, que me acompanhava até à data, queria dar-me alta.

Só que de um momento para o outro, o mamilo dessa mama, com o nódulo maior, inverteu-se. Comecei a ter dores horríveis sempre que esforçava o músculo peitoral. Enquanto isto, esperava a próxima consulta de Patologia Mamária no SNS.

Estava no final de 2019, numa altura de grande stress, a terminar uma segunda Licenciatura. Lembro-me que no dia anterior à apresentação do projeto final de curso, comecei a sentir uma espécie de dormência no antebraço. Pensei, ah ok, estive tantas horas no computador, a escrever a tese que o corpo está a dar sinais de algum cansaço ou má posição continuada. No dia seguinte, fiz a apresentação do projeto e terminei o curso com honras e distinção.

Tanto que no dia seguinte já estava contratada pela empresa onde realizei o meu estágio. Comecei a trabalhar na área e estava muito feliz.

O pior estava para vir.

No mês seguinte, as dormências nos antebraços persistiam (em ambos) e de repente comecei a sentir as piores dores que já senti na vida. Os meus dois braços doíam-me tanto, mas tanto que eu não suportava tamanha dor. Sou uma pessoa que tolera (aguenta) muito sem se queixar. Nunca faltei ao trabalho ou curso, mesmo quando estava doente e às vezes muito doente. 

Mas desta vez, eram umas dores esquisitas, cortantes, que irradiavam do cotovelo para o ombro, do cotovelo para o pulso.   

Fui diversas vezes às urgências. Sem exagerar, fui 5 vezes às urgências. Uma delas a um Hospital Distrital. Nunca me fizeram um simples raio-x. Diziam que era possivelmente de má postura, de trabalhar muitas horas a dactilografar. Experimentei todos os anti-inflamatórios e pomadas. Nada resultava. Comecei a ter de faltar ao trabalho, o que constituía motivo de grande vergonha para mim. Como disse, sempre fui muito cumpridora de todas as minhas responsabilidades, faltar no início de uma nova contratação era mal visto.

Finalmente, as dores abrandaram um pouco e chegou o dia da consulta de Patologia da Mama.

A médica analisou-me com ar assustado. Sugeriu que eu fizesse uma biópsia à mama, passado umas semanas.

Fiz a biópsia e a Doutora, enquanto me puncionava, conversava comigo como se eu fosse doente oncológica. Fiquei aterrorizada, mas como ela não deu nenhum veredito (as amostras seguiram para o laboratório) eu pensei...bem, estava tão nervosa que talvez tenha deturpado a conversa.

Conclusão, fui à consulta para receber os resultados da biópsia e a médica diz-me: "ainda não tenho o resultado da biópsia, não sei se a Médica Radiologista lhe adiantou alguma coisa..?" respondi que não.

"é que ao fazer a sua biópsia, a ecografia detetou um gânglio." ...

Fiquei em choque, porque é de senso comum que isso é praticamente a confirmação de cancro da mama. Então ela prosseguiu. "Pode ser que não seja nada, mas vou mandar fazê-la uma biópsia ao gânglio e mais uns exames, para ir adiantando, caso os resultados sejam desfavoráveis."

Saí completamente aterrorizada daquela consulta e da frieza com que tudo me foi dito.

Em janeiro de 2020 lá estava eu a fazer a biópsia ao gânglio. O médico para além de não me ter dirigido a palavras enquanto me fez o exame, ainda me perfurou o pulmão o que me levou a ficar internada 15 dias com um dreno.

Enquanto isto, todos fingiam não saber do meu diagnostico. Pois a CONSULTA DE GRUPO ONCOLÓGICO, estava marcada nos finais de janeiro de 2020.

Confesso que não percebia nada deste mundo da oncologia, nem sabia que existiam consultas de grupo oncológico.

No dia 23 de janeiro, depois de uma manhã horrível de espera, chamaram o meu nome. Entrei no gabinete, à minha frente estava uma cirurgiã que me olhou com um ar gélido e, sem esboçar qualquer sinal de empatia ou solidariedade diz: 

"tenho más notícias para si: tem cancro da mama. E não é só. Tem metástases ósseas na sua coluna cervical e dorsal. Estamos na dúvida se terá que começar a usar imediatamente um colar cervical".

Noutro post, explicarei melhor todo o desencadear deste longo e permanente processo.


segunda-feira, 1 de março de 2021

Elizeth Cardoso - Barracão de Zinco



Vai, barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
À cidade a teus pés
Vai, barracão
Tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei que tu és
Barracão de zinco
Tradição do meu país
Barracão de zinco
Pobretão, infeliz
Vai, barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
À cidade a teus pés
Vai, barracão
Tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei que tu és
Barracão de zinco
Tradição do meu país
Barracão de zinco
Pobretão, infeliz
Barracão de zinco
Tradição do meu país
Barracão de zinco
Pobretão, infeliz
Vai, vai barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
Ai, à cidade a teus pés
Vai, barracão
Tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei que tu és
Barracão de zinco
Barracão de zinco

Compositores: Luiz Antonio

sábado, 3 de outubro de 2020

Cancro significa... um dia de cada vez!

Quando somos jovens, aparentemente saudáveis e de repente nos diagnosticam cancro, sentimos que, para nós, é o fim de tudo

Os projectos de vida, que tínhamos para esta existência, são abruptamente cancelados. Já não vão acontecer. 

Casar? Quem é que vai querer casar com alguém doente? Filhos? Quando nos dizem que será impossível tê-los, porque nos vão provocar uma menopausa muito precoce para sobrevivermos mais algum tempo. Trabalho? Quem é que vai dar trabalho a alguém que num dia está mais ou menos bem, mas no seguinte já não se consegue levantar da cama? Já nada disto, em princípio, vai acontecer.

Depois, dizem-nos que existem muitos tratamentos e que, afinal, cancro é uma doença crónica nos nossos dias. Mas entretanto, dizem-nos que já temos metástases, e que a doença que temos é incurável. Então é a confirmação do fim, do fim de nós. 

É então que começamos a aprender novos vocábulos: grupo oncológico, radioterapia, cirurgias de estabilização, quimioterapia, hormonoterapia, cintigrafia, marcadores tumorais, tratamentos paliativos.

Depois de tomarmos consciência do nosso diagnóstico, aprendemos uma lição básica: viver um dia de cada vez. Porque, no fundo, é tudo o que temos. 

Acabam-se, pura e simplesmente, os planos para médio e longo prazo. Não temos mais isso. Tudo o que temos é o dia de hoje, é "o pão nosso de cada dia". 

No entanto, também nos apercebemos de uma coisa: afinal, isso é o que todos temos, doentes ou saudáveis.

Nós, doentes, temos consciência que temos  um "prazo de validade" inferior, com muito mais sofrimento à mistura, muita solidão, mas no fundo, todos morreremos um dia. E não sabemos que dia será esse. Portanto, acabamos por aceitar/acostumar com esse infortúnio do destino. 

Por isso, torna-se imperativo aproveitar os dias de energia que temos, de contemplar a natureza que nos rodeia, de admirar as nossas pessoas e lhes agradecer o apoio e companheirismo. é tempo de introspecção e de crescimento espiritual. 


O cancro muda-nos. Já não sou mais a menina de cabelos longos e corpo de manequim. Em questão de meses, aparento ser mãe de mim própria. 

Tornei-me outra pessoa. 

Um dia de cada vez, é tudo o que tenho e começa a bastar-me.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

SER GENTE

Por muito que anseies pelo porto de abrigo,
sabes que é ao largo do mar, 
no centro da tempestade,
que atinges o teu tamanho. 
Para além do medo do que é incerto e 
do medo de não seres capaz, 
estão as vagas vencidas pelo teimar, 
está a rota por onde cresces, 
em direcção ao norte, 
a caminho do sol, ou de ser gente. 

Vasco Pontes

 


Conheci este poema há uns anos, através de um blog encantador, repleto de poesia, onde predomina o encantamento pelo mar (https://omarmequer.blogspot.com/). 

Apesar do poeta não ser particularmente conhecido, este poema é uma verdadeira introspeção ao nosso Eu mais íntimo e à coragem de viver e de Ser, por muitas que sejam as tormentas e tempestades a que sejamos sujeitos.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Irina Shayk 2013

Simplesmente sexy esta campanha da Irina Shayk!
Com a simplicidade das peças com que desfila, consegue mostrar as grandes tendências da estação.
As super sensuais "knee boots" e o seu maxi agasalho de corte masculino são as peças que marcam esta temporada.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Magnolia Silver Jewellery

Quem conhece e/ou compra peças em prata na Magnolia?
Aqueles quiosques que estão no meio dos corredores nos centros comerciais cheios de brilho!
Que paramos para olhar e as peças riem-se para nós, ficamos logo apaixonadas!
:)
 Já fiz várias compras e acho as peças lindíssimas e sofisticadas. São todas em prata e com pedras semi-preciosas. Aconselho!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Espelhado!

Espelhado! Os óculos espelhados já foram moda nos anos 80 e estão agora de volta! A grande tendência são os coloridos como na foto.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

eReader - kobo :)


A minha melhor aquisição dos últimos tempos!
:)
Em Portugal pouco ou nada se lê. É uma pena. E a mentalidade da maioria das pessoas, realmente, reflecte isso. Existem livros que considero leitura obrigatória e, por mais mais incrível que pareça, são totalmente desconhecidos no nosso país. 
Estas coisas chocam-me! 
Em Portugal só chega à comunicação social a "porcaria degradante" dos outros países...coisas como a leitura erótica da moda que as mamãs portuguesas aderiram em massa...que ridículo..mas antes lerem isso que nada!  
Realmente a sociedade tem muito que evoluir...
O patriotismo da propaganda televisiva chega a ser incompreensível.
 Portugal (quero dizer, portugueses no geral, infelizmente), está muito atrasado em "pensamento" e não são quase nenhumas as suas glórias desde a altura majestosa em que:

"As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados 
Passaram ainda além da Taprobana, 
Em perigos e guerras esforçados 
Mais do que prometia a força humana, 
E entre gente remota edificaram 
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas 
Daqueles Reis que foram dilatando 
A Fé, o Império, e as terras viciosas 
De África e de Ásia andaram devastando, 
E aqueles que por obras valerosas 
Se vão da lei da Morte libertando..."

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