Rosa Forte: oncologia
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domingo, 26 de abril de 2026

Cancro avançado 2026


Apesar deste blogue não ser uma jornada contínua e descritiva do processo de uma doente oncológica, por vezes, lembro-me de que passam cá pessoas com vontade de alguma informação. 

Desde o início,  o meu percurso foi complicado.  Cancro da mama já diagnosticado com metástases ósseas. 2020.

Depois seguiu-se um percurso normal, dentro do esperado, protocolos, medicamentos,  tratamentos,  recuperação,  recidiva, mudanças histologicas das células. 

Um tumor que era inicialmente hormonal,  transformou-se, mais tarde, em triplo negativo. 

Na verdade, encontro-me a fazer um tratamento de quimioterapia mais agressivo, que me retira a parte da qualidade que tinha. 

Cansaço,  enjoos,  falta de apetite e horas em contexto hospitalar. 

Mas no meio disto tudo, gostade dizer que passaram 6 anos e continuo aqui. 

Um testemunho de esperança a quem está a passar por isso agora. Tudo é um processo mais ou menos simples/complicado, dependendo também do organismo e das condicionantes. 

Pode ser apenas um mau momento, um ano de sacrifício, de paragem, de cura. Ou pode ser um processo de adaptação a uma nova vida, como no meu caso.

Um abraço amigo e de esperança a todos!


domingo, 24 de março de 2024

Mastectomia 2024 - o meu caso

Dia 18 de março de 2024, com uma espera de mais de 2 meses, fui finalmente chamada para realizar mastectomia total esquerda. 

Embora seja doente oncológica, diagnosticada desde fins de 2019, a mastectomia nunca foi uma proposta de tratamento. Isto acontece porque, no meu caso, quando se diagnosticou a doença, já havia metástases ósseas.

Ao longo deste processo, que dura já há cerca de 4 anos e meio, fui submetida, primeiro, a uma cirurgia estabilizadora da coluna, radioterapia na coluna e, finalmente, ao tratamento sistémico hormonoterapêutico. 

O tratamento tem se mostrado bastante eficaz a controlar a doença. As lesões ósseas estão "adormecidas" e não surgiram focos noutros órgãos. Contudo, verificou-se um aumento gradual do tumor na mama.

Depois do caso ser debatido em consultas de grupo, os especialistas ficaram divididos quanto ao procedimento cirúrgico. Houve os que eram favoráveis a esta proposta, pois alegavam que o tumor deveria continuar a crescer, caso não se removesse, e me provocaria desconforto, dor e, eventualmente, complicações a nível local e axilar. Houve também os mais céticos, que não concordavam com a mastectomia, pois agarraram-se aos dados estatísticos, que demonstravam que em nada me beneficiaria a mastectomia, principalmente, não aumentaria a minha sobrevida.

Fui chamada a tomar a decisão final. 

Fez-me sentido a opinião de uma cirurgiã oncológica de carreira reconhecida, tanto clínica como de investigação, do meu hospital público. Optei por fazer a mastectomia.

A cirurgia correu sem complicações. Durante a mesma, fizeram biopsia a gânglios. Saberei o resultado no dia 8 de abril, na consulta com o cirurgião.

Estou em casa, com dreno e sem dores. 

Fiz o primeiro penso dois dias após a cirurgia e esvaziamento do dreno (cerca de 170ml).